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julho 31, 2019

Situação em Angola fica difícil

Este mês, fazemos um ano e dois meses vivendo neste lugar onde Deus nos enviou. Durante os últimos dois meses houve mudanças importantes na situação econômica de Angola.

Situação Cambial

Ontem as casas de câmbio estavam a pagar Kz 580,00 por USD 1.00, um aumento de 16% em três semanas. Estão a pedir Kz 620,00 de quem quer comprar dólares nas ruas que são o único lugar possível de se conseguir dólares rapidamente.
O câmbio oficial do Banco Nacional de Angola está aos 451,00 Kz = USD 1.00; os bancos comerciais compram hoje aos Kz 451,00 e vendem aos Kz 469,00. Estas taxas representam um acréscimo de 21% em somente três semanas e de 50% em 5 meses.
Até o presente momento não se conseguia comprar dólares nos bancos oficiais o que vinha dificultando muito os comerciantes de importarem mercadorias, e principalmente alimentos. Isto causa um grande transtorno visto que nada do que é consumido em Angola é produzido no país, e tudo vem de fora. Diz-se que o BNA (Banco Nacional de Angola) está a implantar uma nova política de divisas e a situação pode melhorar par quem precisa de dinheiro estrangeiro para importações. Com isso, pode-se esperar que os importadores conseguirão obter divisas com mais facilidade, para poderem comprar mercadorias, mas, também a taxa de câmbio determina diretamente o custo de bens importados o que pode tornar os preços ainda mais caros.
Esperamos que a longo prazo o ajuste do mercado cambial seja saudável pela economia e o país, mas haverá uma transição dura.

Indicadores econômicos:

Em geral os indicadores econômicos do país estão péssimos: taxa de inflação anual de 16% até Setembro; taxa de desemprego de 29%; as dívidas externas chegam à 80% do PIB (Produção Interno Bruto); As reservas de moedas estrangeiras muito baixas; taxa de crescimento anual do PNB (GDP) negativa por ordem de -2%, que dizer, a economia está a encolher em vez de crescer (Recessão) enquanto a média da África subsaariana é positivo de +3%. Diz-se que mais que a metade do lucro produzido com o petróleo produzido está sendo consumido em pagamentos aos credores.

Novo Imposto IVA:

Desde dia 1 de outubro as grandes empresas aplicaram o novo IVA, (Imposto sobre o Valor Acrescentado), geralmente de 14%. A ideia é que esse imposto substitua vários outros impostos e o impacto deveria ser neutro, mas devido à confusão geral em introduzir este novo imposto, medo das consequências se não o cobrasse corretamente, e talvez à ganância, muitas simplesmente aumentaram os preços de venda muito acima dos 14% do IVA, sendo que alguns produtos chegaram a subir em torno de 45%
Assim como o ajusto do câmbio, também no caso do IVA ao longo prazo será uma benfeitoria a economia nacional, mas haverá muita confusão no período de implementação, pelo menos até ao fim do 2020.

Preços e disponibilidade de produtos:

Assim, temos visto aqui em Angola uma subida geral e súbita de preços de na média de 35%. Os preços de combustíveis e de comidas da “cesta básica” (teoricamente) estão protegidos, mas mesmo assim, a nossa empregada diz que um quilo de fubá que custava 100,00 kz agora custa 250 Kz e de arroz que custava 250kz agora passou a custar 500 Kz.
Alguns comerciantes atacadistas estão orientando a comprar já, tudo o que necessitam, pois não estão a conseguir divisas (moeda estrangeira), nem sequer por cartão de crédito para refrescar o estoque de mercadorias. Segundo esses comerciantes, sofreremos em breve uma escassez de medicamentos e alimentos, e na verdade isso já se pode ser sentido nas prateleiras dos supermercados, onde é possível ver espaços vazios onde antes haviam várias opções de mercadorias (que nunca foram muito baratas, mas pelo menos havia o que comprar).
Esta situação afeta a todos em Angola, contudo os mais severamente afetados são os mais necessitados. Alguns jovens em Luanda estão a manifestar por causa da indisponibilidade de emprego e dos preços altos, isso sem falar da seca e fome nas províncias do sul de Angola onde centenas de adultos e crianças tem morrido de fome e a maioria da população está desnutrida por conta da grande estiagem que têm assolado o país.

O que devemos fazer com esta informação?

1) Orem! Por favor, orem por Angola, pela paz, e pelos necessitados. As nossas instituições – ISTEL, CEML, as igrejas – estão a sofrer pela situação econômica entre outras razões e precisam das orações nossas e dos nossos apoiantes.
2) Orem pelos desempregados de Angola e pelos que ainda tem emprego, mas como não tiveram seu salário aumentado na mesma proporção (na verdade não tiveram aumento algum) para que consigam suportar mais essa provação com a mesma alegria que sempre demonstram diante das dificuldades.
3) É bem possível que experimentemos instabilidade e agitação, por isso a missão nos orientou a nos manter a preparados para emergências: um fundo individual de emergência, reservas adequadas dos medicamentos que precisamos, reserva de comida e de combustíveis, segurança cuidadosa da casa, do carro e da pessoa, meios alternativos de comunicação.

Nosso tempo no Brasil

Estamos com passagem marcada para ir ao Brasil saindo de Lubango no dia 08 de dezembro e com retorno agendado para dia 20 de janeiro. Pedimos para que orem em favor de nossa viagem e pela direção de Deus sobre o que fazer em relação ao nosso futuro aqui, diante de todos os problemas que acabo de relatar.
Sem mais para o momento, nos despedimos na Graça na Paz do Senhor Jesus.

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